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Mensagens

Coisas de Adolescentes

Quando estive em Manaus para ver o meu pai, encontrei meus textos da adolescência. É engraçado olhar para trás e ver determinados factos da nossa vida. Houve momentos em que não consegui verbalizar o que acontecia e vivia e . As coisas ficavam gravadas em meu ser, para estes momentos eu tinha a companhia da minha caneta e do meu caderno. No papel eu expunha tudo. Meus textos foram guardados por meu pai. Trouxe-os de Manaus para cá e hoje encontrei dois que mostram a alma de um adolescente. Depois de conversar com meu filho e ver como ele é parecido comigo quando estava com a idade dele, decidi partilhar estes dois textos que seguem: MORENA FLOR Morena flor És minha esperança És meu amor És minha doce criança. Morena flor Sabor de mel Dá-me teu amor E leva-me ao céu. Morena flor És minha amada, És por mim venerada, És meu canto de amor. Morena flor És meu canto de paz, És a vida sem dor, És meu canto de amor. Morena flor Dá-me teu amor, Dá-me teu ser, Dá-me teu viver. RAZÃO DO MEU VIVE...

Feliz Aniversário

A chuva cai lentamente. Cai serena, suavemente qual lágrima que escorre pelo rosto. O céu está nublado e o dia vai ser cinzento. Hoje não é dia para festa. Não há como fazer celebração, apesar de ser um dia especial, tudo está cinzento à nossa volta. Ah, essa melancolia é passageira. Ela faz parte do momento. Hoje se estivesse connosco seria dia de festa. É o teu aniversário e neste dia tínhamos que ter um churrasco bem preparado. Como gostavas da festa. Ficavas feliz em poder partilhar essa data com os parentes e amigos. Entretanto, já não estás aqui, agora e festa é nas alturas com o Rei dos reis, mas nós aqui, pobres mortais, lembramos este dia especial com os nossos ais. A saudade aperta. O coração chora e sofre calado. É como a chuva que insiste em cair, mesmo que nós não a desejemos, pois agora estamos a desfrutar do calor do verão. Cai a chuva lentamente como a lágrima que insiste em sair regando meu rosto expressando a saudade que bate forte em meu coração. Saudade que agora é ...

TEOLOGANDO

Este texto surgiu num momento de dor e tristeza. Contudo, enquanto o escrevia pude sentir a paz e o consolo do Senhor. Meu desejo é que possas sentir o mesmo ao leres esta crónica. nEle que é o Consolador e a nossa Paz Marcos Amazonas Teologando Estamos sentados a conversar, enquanto esperamos que o almoço fique pronto. É início da tarde, procuramos relaxar um pouco, pois a situação é angustiante. Não é fácil ter que ir ao hospital todos os dias e ver papai completamente dependente de cuidados. É triste vê-lo sem reacção, mas temos que ser fortes e ter a consciência de que ele está nas mãos do Pai. Moysés, para nos agradar resolve fazer um churrasco. Estamos sentados, relembrando as histórias da nossa família. Nesse momento, aparece o nosso tio Dida com o seu sorriso inconfundível. Sempre jovial, o tempo parece que não havia passado para ele. Que alegria foi para nós poder vê-lo. Fal amos para ele comer connosco, mas ele disse que já havia almoçado, mas deu-nos a alegria de passar a ta...

Correr contra o tempo

Mais um dia amanhece. Acordamos, e já começamos a correr, porque existem muitas tarefas para serem executadas. Desejamos que o dia tenha mais horas para poder concluir tudo o que temos planeados. A azáfama do dia nos faz correr contra o tempo, mas o facto é que o tempo não pára. Ele continua a sua caminhada sem se importar com a nossa agenda. O tempo passa e costumamos dizer que ele passa depressa, mas ele segue seu percurso natural, nem mais depressa, nem mais lento. Ele segue normalmente. O dia continua a ter 24 horas. O problema é que não sabemos gerir o nosso tempo. Na maioria das vezes assumimos mais compromissos do que deveríamos e ainda assim, renegamos grande parte do tempo que deveríamos investir com a nossa família porque estamos a tentar construir um futuro melhor para nós, só que esquecemos de viver o presente. Esquecemo-nos que a vida é para ser vivida no hoje e não sabemos se teremos amanhã. Jesus em uma de suas parábolas, fala-nos de um homem que ganhou muito dinheiro. Q...

Reencontro

A doença do meu pai alterou os meus planos. Esperava ir ao Brasil com toda a família, para que meus filhos tivessem a oportunidade de conviver com os primos e tios. Entretanto, isto não foi possível. Viajei sozinho e com o coração apertado, pois tinha a convicção plena que seria a última vez que estaria com meu pai. Estava ansioso por chegar em Manaus. Minha querida cidade, a morada do sol. A cidade que eu trago guardada em meu coração. Fiquei surpreso com o seu desenvolvimento e crescimento. Vi que minha cidade mudou, já não a conheço. Tenho no meu imaginário a cidade dos meus tempos de adolescentes e início de juventude. Uma Manaus que não existe mais. Contudo, foi bom reencontrar-me com a minha terra, sentir o cheiro amazónico, poder saborear da culinária típica de lá. Quando chegamos em Manaus, eu e minhas irmãs, fomos para casa do nosso irmão. Ficamos todos juntos novamente. Depois de quinze anos nos reencontramos e infelizmente, o motivo é idêntico, pois quinze atrás estivemos ju...

Solidariedade

Há um texto magnífico no livro de Provérbios que diz o seguinte: “Em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão” (Pv 17.17). Foi no momento da angústia que eu e minha família percebemos aqueles que se fazem irmãos. Decidi que devia ir ao Brasil para estar com o meu pai. Descobri que meu passaporte estava vencido. Teria que tirar outro e o tempo exigido pelo Consulado do Brasil para a entrega de um novo era demorado. Minha irmã falou com uma amiga no ministério das relações exteriores que por sua vez falou com a Cônsul do Brasil no Porto e esta nos ajudou e recebemos o nosso passaporte no mesmo dia. Minha irmã pôde ver que no seu momento de angústia teve uma amiga que se fez irmã. Falei com a igreja que sirvo como pastor e esta prontamente apoiou-me e permitiu que eu fosse ver meu pai. Para ir ao Porto aproveitei o feriado do dia 1 de Maio e sendo assim, passamos o dia na casa da família Baptista, amigos chegados e irmãos queridos. No dia seguinte pela manhã nos dirigimos até ...

SEGURANÇA

Este texto escrevi depois de ter regressado da assembleia-geral da Convenção Baptista Portuguesa. Ainda não tinha viajado para o Brasil. Estava a tratar das coisas para minha ida até o Brasil para poder estar com meu pai e irmãos. O texto narra o meu estado de espírito em relação a tudo o que estava a acontecer comigo. Falo da segurança que estava a viver em todo o processo. Espero quem leia esta crónica, sinta a mesma paz e segurança que eu estive e estou a sentir. Marcos Segurança Quinta-feira, 24 de Abril, parecia ser um dia como outro qualquer. Contudo, este não seria mais um dia. Ele seria bem diferente. O dia estava agitado. Tinha que ter tudo preparado, pois teria que seguir para a cidade do Porto para participar da 77ª Assembleia-Geral da Convenção Baptista Portuguesa. Sendo assim, tinha que ter correr contra o tempo. Pegar os filhos mais cedo na escola e encontrar-me com o pastor Heitor que seguiria comigo. Encontramo-nos por volta das 16:30 e seguimos até minha casa para deix...