cabocloamazonense
Este blog retrata a história de vida deste caboclo. Há momentos de alegria e de tristeza. Sendo assim, os textos espelham o que me vai na alma. Este blog fala de graça e da graça da vida.
Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012
JESUS E AS SUAS TENTAÇÕES
Mateus 4.1-11; Tiago 1.13
Falar sobre as tentações de Jesus é um desafio enorme. Mas são elas quem mais testificam da sua humanidade. É interessante pensar na humanidade de Jesus olhando o que o apóstolo Paulo escreve na sua carta aos Filipenses. Ele diz o seguinte:
De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,
Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. (Fp 2.5-8)
Ele não deixou os atributos de Deus, Ele não explorou sua posição, mas pelo contrário humilhou-se e assumiu toda a humanidade e obedeceu até à morte e morte de Cruz. Ele sofreu como qualquer outro homem. É importante olharmos a tentação na perspectiva humana, pois nos fala da possibilidade da queda, mas acima de tudo fala-nos da realidade do ser humano Jesus. Ele é perfeitamente homem e sendo perfeitamente homem pode ser tentado, mas como Deus não, pois Deus não se deixa tentar. É bom vermos o que diz Tiago acerca da tentação: “Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta.” (Tg 1.13). Mediante a declaração de Tiago podemos concluir que Jesus só pode ser tentado porque Ele era totalmente humano.
Quando olhamos para o texto de Mateus percebemos que a tentação vem do diabo. É Ele quem vai tentar Jesus e esta tentação vai procurando fazer com que o Senhor Jesus, o homem Jesus queira seguir o caminho de Adão e ser como Deus. O diabo tenta Jesus para fazer com que Ele receba a glória e o louvor que devem ser dedicados ao Pai.
Jesus o homem perfeito foi em tudo tentado. Ele é o nosso exemplo. É um facto que as tentações são externas, que nascem fora do homem. O outro tipo de tentações são internas. Elas residem no homem e aqui devo caminhar com muito cuidado, pois o que quer que fale pode ser visto de forma errada. Tenho consciência que Deus não pode ser tentado pelo mal. Sendo assim, ando num terreno escorregadio, mas vou ousar afirmar que Jesus passou pelas tentações internas como afirma o autor de Hebreus que diz: “Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.” (Hb 4.15). O autor de Hebreus afirma claramente que ele como nós em tudo foi tentado. Portanto, o ser humano Jesus conhece as minhas e as tuas tentações e sabe como nos sentimos, pois Ele passou por todas elas e as venceu.
Jesus foi tentado em tudo. Pensando nesta realidade, o que aprendemos com as tentações de Jesus?
As tentações são uma tentativa externa ou interna de nos afastar da comunhão com Deus. É interessante que sempre que olhamos para o texto de Mateus pensamos nas tentações de Jesus e no facto de ser necessário ele passar por estas tentações, mas o objectivo principal era fazer com que a relação de intimidade de Jesus com o Pai fosse interrompida.
O Filho, o ser humano Jesus passou por esta realidade. E ela é uma tentativa de o ser humano roubar a glória que deve ser dada a Deus. Isto fica muito claro nos versículos 8 e 9. Jesus é desafiado a receber a adoração que é devida ao Pai, mas Ele recusa-se e vence a tentação.
É interessante ver que Jesus tinha consciência desta realidade e não se deixa vencer pelas tentações que vem sobre Ele. Jesus não perde o foco. Ele mantem os seus olhos fitos no Pai e por isso, não cai.
As tentações tentam afastar os nossos olhos do Pai, devemos recusar e dizer não. A nossa atitude deve ser a mesma do salmista que diz: “A ti levanto os meus olhos, ó tu que habitas nos céus. Assim como os olhos dos servos atentam para as mãos dos seus senhores, e os olhos da serva para as mãos de sua senhora, assim os nossos olhos atentam para o SENHOR nosso Deus, até que tenha piedade de nós.” (Sl 123:1-2). Precisamos ter um olhar fixo no Senhor. Não podemos perder o foco.
O ser humano Jesus jamais perdeu a perspectiva do Pai. Ele não cedeu e permaneceu com o seu foco em cumprir não a sua vontade, mas a do Pai.
As tentações acontecem num momento de fraqueza. É interessante ver os versículos 2 e 3. Jesus passou um período longo de intimidade com o Pai. Ele esteve em oração e comunhão. Passado este momento, ele teve fome. Ficou fragilizado e foi neste exacto momento que o tentador apareceu para tentar Jesus. Ele estava fragilizado, carente e necessitado e a tentação acontece no momento da sua fraqueza.
Ele está carente de alimento. Esta fragilizado e neste momento acontece a dúvida. O diabo lança a bomba do «se». Elas vêm na tentativa de fazer com que Jesus caia e caindo estaria fracassando como ser humano e nós estaríamos perdidos. Mas mesmo no seu momento de fraqueza Ele resistiu e não cedeu a bomba da dúvida.
Olhemos para o texto de Mateus e vejamos que as tentações passam por suas fragilidades físicas e pela maior fraqueza do ser humano. O desejo do poder. Entretanto, indo para o texto de Hebreus podemos afirmar que o Senhor também passou pela tentação da sexualidade, mas não cedeu e porque ele resistiu esta tentação que é tão forte em cada um de nós e principalmente em fases de transformação das nossas vidas.
Jesus não cedeu mesmo nos seus momentos de fragilidade. Ele resistiu firmado na Palavra de Deus e na sua comunhão com o Pai. Diante da realidade da tentação sexual, Jesus a venceu e a venceu “pela experiência que tinha do amor de Deus, soube amar homem e mulher com o mesmo amor com que amava a Deus. O «eros», o erótico que tem intercomunicação foi permeado pelo «ágape», quer dizer, pelo amor profundo que vai, não ao sexo, mas à pessoa. O amor em Cristo aparece como serviço, não como acto de dominar. Na concepção cristã não é o amor humano o que leva a Deus; é o amor a Deus que leva ao amor do homem e o que fundamenta a mesma existência humana.” Jesus ama de modo correcto. Vive e resiste a tentação e a vence porque sabe que não pode tentar ao Pai (Mt 4.7).
As tentações aparecem num momento de fraqueza e de dor intenso (Mt 27.42). Elas visam destruir a comunhão com o Pai e fazer com que seja feita a vontade do homem e não do Pai.
As tentações só podem ser vencidas pela firmeza na Palavra e conhecimento da vontade de Pai. O texto de Mateus é tremendo. Cada tentação que é feita a Jesus é vencida com a Palavra de Deus. Jesus reconhece que só pode vencer a tentação se estiver firmado na Palavra de Deus. Ele alimenta-se dela e a conhece em profundidade.
Quando Ele está no Getsêmani (Mt 26.36-46; Mc 14.32-42; Lc 22.39-46) e enfrenta o seu pior inimigo, no momento mais crucial de sua vida. Jesus enfrenta-se a Si próprio. Ele em oração diz ao Pai que não deseja aquele caminho. Ele é tentado por Ele mesmo a deixar a cruz e seguir outro caminho. Entretanto, Ele não cede a esta tentação e não a faz por conhecer a Palavra de Deus e a vontade do Pai. Ele não apenas conhece a vontade do Pai, mas quer que ela se realize em sua vida independente do que lhe possa acontecer e foi por isso que Ele ao orar afirmou: “Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.” (Mt 6.9-10) Esta declaração está na oração modelo, mas mesmo assim, no seu momento crucial no Gêtsemani Ele diz: “Então lhes disse: A minha alma está cheia de tristeza até a morte; ficai aqui, e velai comigo. E, indo um pouco mais para diante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres.” (Mt 26.38-39). Nos momentos de crise e grande tentação o importante é ficar firme na Palavra e realizar a vontade do Pai.
Jesus ultrapassou as tentações. Ele não cedeu a nenhuma delas. Ele as venceu por conhecer a vontade do Pai e à sua Palavra. Ele passou pela vida firmado na Palavra e a realizar aquilo que o Pai desejava e a desfrutar da sua relação com o Pai e por isso venceu as tentações que enfrentou.
Conclusão
Jesus enfrentou as tentações da vida. Ele as venceu.
Ele foi tentado em tudo como qualquer ser humano.
Ele conhece o que nós passamos e entende as nossas fraquezas, mas mostra que podemos resistir as nossas tentações.
Olhando para a vida de Jesus e para as tentações que Ele enfrentou nós aprendemos o seguinte:
As tentações sejam elas internas ou externas acontecem para destruir a nossa comunhão e com o Pai.
Elas aparecem em momentos de fragilidade
Elas serão vencidas se conhecermos a Palavra de Deus e realizarmos a vontade do Pai.
Olhemos para Ele e sigamos as suas pegadas para permanecermos firmes no Senhor e não cedermos às nossas tentações.
Que Deus nos abençoe!
Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012
O SER HUMANO JESUS
Mateus 1.18-25; Lucas 2.1-7
Iniciamos uma série de estudos sobre a pessoa de Jesus. Como introdução afirmamos a sua divindade. Declaramos que Ele é Deus encarnado. Cremos na divindade de Jesus. Aceitamos que Ele é perfeito Deus e que também é perfeito Homem.
É facto que muitos rejeitam a divindade de Jesus. Muitos recusam-se a olhar para Ele como o Salvador. Entretanto, não podem negar sua existência histórica e, mesmo que não sejam religiosos, sempre colhem para si a imagem de Jesus em determinados momentos para exemplificar algo grandioso.
Sendo assim podemos afirmar que “a pessoa de Jesus é tomada a sério por toda esta gente. Vê-se que tem interesse para a história e vida dos homens de hoje. Diríamos que estes homens, com a melhor simpatia, sentem-se fascinados por Jesus, que continua a ser portador de esperança para a sociedade actual.”
Jesus continua a fascinar o mundo. Entretanto, a igreja tem tido algum receio de falar da humanidade de Jesus. Qualquer estudo que fale da humanidade de Jesus, tem que passar por coisas básicas, tais como: nascimento, desenvolvimento, morte. Creio que fazemos isto por medo de perder de vista o Jesus Deus Encarnado. Entretanto, se desejamos anunciar uma fé consistente, devemos partir do facto da humanidade de Jesus. Não podemos esquecer este aspecto pois é de suma importância.
Creio que aqui cabe a seguinte pergunta: “Poderia ter alguma consistência a Fé da Igreja que proclama Cristo Senhor sem assentar numa base firme histórica da vida terrena de Jesus? Sem essa base, Jesus não passaria de um mito.”
Nossa fé é sólida. Não temos um mito. Temos uma fé racional, baseada em factos históricos. Entretanto, devemos entender que: “Os evangelhos não são narrativas biográficas. São confissões de fé, quer dizer, exprimem a convicção de pessoas para as quais o acontecimento pascal transformou o conhecimento que tinham de Jesus e a percepção da existência. Por consequência, quando se pretende iniciar uma reflexão sobre a significado actual de Jesus, não se pode abstrair deste primeiro dado.”
O que estamos declarando é que a nossa premissa é a confissão de fé. Isto porque:
“… não é possível estabelecer uma biografia ou história de Jesus no sentido usual do termo, pois os redactores dos Evangelhos não tiveram a intenção de Escrever uma história sucessiva e motivada da vida de Jesus de Nazaré. Os evangelhos são antes testemunhos de crentes. Isto, porém, não quer dizer que não tenham nada de histórico. O que representam são rasgos soltos, episódios independentes que, no seu conjunto, nos mostram a personalidade total de Jesus.”
É facto que a igreja sempre declarou que Jesus é perfeito Deus e perfeito Homem. O Novo Testamento não tem uma formulação doutrinária, como a do concílio de Niceia, mas podemos ver essa declaração postulada em todo ele.
Jesus é perfeito Homem. Não podemos negar este facto e cada vez mais encontramos livros a analisarem a pessoa de Jesus. Para nós cristãos, “interessa-nos sempre estudar o Mistério de Jesus, pois Ele é para nós a Chave da História, o Salvador dos homens de todos os tempos, o único capaz de dar sentido à nossa vida.”
Entretanto, nem todos pensam assim, e sendo assim, podemos encontrar algumas doutrinas, ou melhor dizendo, perspectivas de estudos sobre a vida de Jesus, a saber:
a) Uma interpretação Política e Marxista de Jesus. Alguns olham para Jesus e buscam fazer uma interpretação política ideológica de sua vida.
b) Uma interpretação Personalista de Jesus. Esta interpretação conduz a uma análise subjectiva e individualista.
c) Uma interpretação Psicológica da Pessoa de Jesus. Há neste momento pessoas que olham para Jesus e suas atitudes buscando respostas para a psicologia. Muitos livros estão a ser escritos sobre esta temática.
d) A interpretação Histórico-Dogmática de Jesus. Este deve ser o nosso ponto de partida para que possamos ter uma Cristologia autêntica e segura, pois se não for assim, a Pessoa de Jesus seria reduzida a uma visão meramente humana.
Quais devem ser as nossas premissas para uma análise da Pessoa de Jesus?
- O Jesus histórico, como critério objectivo. Sem ele a fé cristã ficaria reduzida a uma ideologia ou simples invenção filosófica.
- A Ressurreição, como base necessária para a explicação da vida e mensagem histórica de Jesus, que ganham assim uma luz nova.
Vamos olhar objectivamente para a realidade de Jesus. Vamos ver o Homem, mas também olharemos à luz da ressurreição, do seu sacrifício pascal, para que possamos entender quem realmente é Jesus. Olhemos agora para o nosso texto e vejamos o que podemos aprender com ele sobre a humanidade de Jesus e o que ela nos ensina.
Jesus assume toda a natureza humana. Sei que aqui correrei perigo em algumas declarações, mas o medo não nos pode paralisar. Ele não pode ser impeditivo de uma reflexão acerca dos temas mais importantes da nossa fé.
Afirmamos que a humanidade está sob o peso da queda. Tendo Jesus nascido de mulher, tornando-se homem, ele ficou sob o peso da queda?
Na sua humanidade ele estava de certo modo sob a influência da queda, mas o facto é que Ele não pecou. Ele nasceu debaixo da Lei e a lei afirma que o ser humano está sob a maldição da queda e Ele veio para nos resgatar desta maldição fazendo-se maldição.
Jesus fez-se homem. Nasceu de uma mulher (Gl 4.4). Assumiu completamente a natureza humana e ela está sob o efeito da queda (Gn 3). Se tentarmos negar este aspecto, se dissermos que Jesus não nasceu sob a maldição da queda, entramos numa heresia terrível que é a da impecabilidade de Maria e sua ascendência.
Ele é o cumprimento da promessa feita lá no Éden. Ele é a semente da mulher (Gn 3.13-15). Ele veio destruir a maldição do pecado que reinava sobre a humanidade. Paulo afirma: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.” (2 Co 5.21).
Ele viveu e sofreu, mas não conheceu o pecado. Ele não pecou. Pedro quando fala dos sofrimentos humanos e das dificuldades que passamos nesta vida, fala do exemplo deixado por Cristo e faz a seguinte afirmação: “o qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou na sua boca; pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente” (1 Pe 2.22-23).
Jesus assumiu a sua humanidade e, por isso, foi tentado, e só foi tentado porque a possibilidade do pecado era algo real e palpável. Como ser humano Ele poderia pecar, mas não pecou. E não pecou porque estava em íntima comunhão com o Pai.
Jesus torna-se dependente dos demais. O Deus-Homem, nasceu de uma mulher. Tornou-se dependente. Ele não podia na sua humanidade fazer nada por si. Por ser totalmente humano, necessitava de cuidados.
Ele precisou do cuidado paternal. Quando da ameaça de Herodes, seus pais tomaram a criança e seguiram para o Egipto. Ele estava necessitado. Precisava de cuidado e atenção. Não podia cuidar da sua própria vida naquele momento.
O ser humano Jesus dependia do cuidado dos pais, mas também precisava aprender todas as coisas como os outros seres humanos. Ele teve que estudar. Teve que desenvolver a obediência e sujeição aos seus pais. É interessante que Lucas fala do desenvolvimento de Jesus. Fala do seu desenvolvimento físico e mental (Lc 2.40;52).
O ser humano necessita de alimento para crescer. Precisa exercitar sua mente para a desenvolver. Jesus estudava e aprendia. Ele dependia dos demais e relacionava-se com os demais, e por se relacionar de modo correcto, caía na graça das pessoas.
O homem Jesus foi dependente e aprendeu com os demais no seu processo de desenvolvimento e isto é uma característica humana. Os seres humanos não nascem feitos. Os seres humanos não sabem todas as coisas. Eles não são auto-suficientes. Os seres humanos são dependentes e precisam da ajuda e do apoio dos demais.
Jesus encarna uma cultura e vive de acordo com ela. Este aspecto é muito importante. Geralmente afirmamos que o evangelho é supra-cultural. Afirmamos que é muito maior que a cultura e isto é bem verdade, mas como afirmou o meu bom amigo José António: “Jesus nasceu numa cultura específica”; não apenas isto, ele viveu completamente de acordo com a sua cultura e reorientou o povo dando o verdadeiro significado à cultura e cosmovisão do povo.
Olhando para a vida de Jesus, encontramos vários aspectos culturais. Vejamos três desses aspectos que aconteceram na sua infância:
i) Como bom judeu, foi circuncidado ao oitavo dia (Lc 1.59). A circuncisão é uma prática religiosa sim, mas também cultural e histórica, mostrando o pacto de Deus com Abraão. Este ritual fala da graça de Deus. Fala de um Deus que não volta atrás na sua palavra. Contudo, este acto fala de uma atitude de obediência a Deus e de que preservamos a história do pacto que foi feito com o nosso ancestral. A circuncisão tem como base o encontro de Deus com Abraão, mas este pacto estende-se para toda a sua descendência (Gn 17.12-14;21.4; Lv 12.3). Este acto era um acto de fé, mas também uma realidade cultural do povo de Israel.
ii) O segundo ritual está relacionado com a mãe de Jesus, Maria. É o ritual da purificação (Lc. 2.22). Este é um ritual instituído por Deus depois do povo ter saído do Egipto. É um ritual higiénico mas baseado no que Deus disse. E o relato do ritual fala que a família era pobre e por isso ofertou dois pombos (Lc 2.24).
iii) O terceiro ritual que podemos ver é a apresentação de Jesus (Lc 2.22-23). Ritual que evoca a Páscoa. O resgate do primogénito que implicava o pagamento de cinco siclos de dinheiro (Êx 13.2,12; Nm 3.47-48; 18.15,16). Este acto deveria acontecer em Jerusalém, no templo.
Estes aspectos mostram como Jesus viveu em conformidade com a sua cultura. A Páscoa que ele tantas vezes celebrou demonstra como Ele viveu a sua cultura de modo intenso.
O ser humano, Jesus, nasceu e viveu completamente envolvido dentro do seu contexto cultural, o respeitou e assimilou completamente.
Conclusão
Jesus o ser humano. Ele é perfeitamente humano. Assumiu e viveu todas as fases da vida que nós vivemos.
Olhando para a humanidade de Jesus o que podemos aprender?
1 – Ao assumir a natureza humana Jesus valoriza-nos enquanto criaturas de Deus e mostra-nos que fomos criados para nos relacionarmos com Deus.
2 - Ao assumir a natureza humana Jesus ensina-nos a lição da dependência. Não somos auto-suficientes, pelo contrário, necessitamos dos demais.
3 – Ao assumir a natureza humana Jesus mostra que a cultura é importante e que há aspectos nela que manifestam a glória de Deus.
Jesus o ser humano perfeito. A igreja precisa olhar para Jesus, o Jesus encarnado, o Jesus homem e entender que a humanidade só pôde ser resgatada, porque Ele foi completamente humano e, na sua humanidade, pagou o preço pelas nossas vidas.
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