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DOMANDO A FERA

Somos seres relacionais. Somos seres sociais e co-dependentes uns dos outros. O fato é que nos percebemos quando estamos diante uns dos outros. Nos humanizamos através da relação Eu-Tu. É onde nos percebemos enquanto seres humanos e iguais. Nossas relações são fundamentadas na reciprocidade. Como afirma Matin Buber: “As relações são realizações do Tu inato naquele que vem ao nosso encontro; que este, concebido como o que nos faceia, aceite como exclusivo, possa enfim ser solicitado com a palavra fundamental, tem seu alicerce no a priori da relação.” Somos seres relacionais e é assim que nos percebemos humanos. Somos seres relacionais e com vontade. E nos encontros, na relação é fundamental reciprocidade e respeito. Portanto, em nossas relações é essencial que aprendamos a arte da temperança ou do domínio-próprio. Nas nossas relações temos que aprender a dominarmo-nos e não ao outro. É fundamental que tenhamos temperança. Devemos ser pessoas com domínio-próprio. A ideia do grego p...

O VAZIO DO BARULHO

Somos a sociedade do barulho. A sociedade das redes sociais. Contudo, somos também a sociedade mais individualista que existe. Vive-se relações virtuais. As comunidades são de rede, mas pouco se vive no mundo real, no cara a cara. As pessoas vivem fechadas umas para as outras. Estão agarradas aos seus celulares, com os fones nos ouvidos e não veem, nem escutam os que estão ao seu lado. Estamos marcados pelo vazio do barulho e pela solidão. Desaprendemos a estar na companhia uns dos outros e mais do que isto, desaprendemos a escutar uns aos outros. Nos tornamos ditadores e pensamos que somos os donos da verdade. Somos daqueles que desejam ser escutados, mas não temos paciência nenhuma para escutar os demais. O filósofo Zenão de Eleia dizia que “nos foram dadas duas orelhas, mas apenas uma boca”. Devemos escutar mais do que falar. Escutar numa sociedade barulhenta é um desafio. Escutar numa sociedade em que impera o vazio e que as pessoas estão trancadas na sua solidão é ainda mu...

CUIDAR É AMAR

Cuidar é envolver-se na vida do outro. É caminhar ao lado dele. É tomar uma atitude positiva em relação ao outro. Cuidar é amar e quem ama cuida. O cuidado acontece no presente, no aqui e agora. O tempo do cuidado é hoje. Quem ama cuida e cuida porque sabe que há o momento da separação, mesmo que não gostemos de pensar sobre ele. Cuidar é amar e quem ama cuida e valoriza o outro, pois sabe que há um tempo de morrer. Cuidar nos remete para este momento. Nos faz ter consciência da brevidade da vida. Portanto, “é o momento em que cada um tomou ou começa a tomar consciência de que o facto está próximo, a separação é inevitável, mas em que nada foi ainda dito ou expresso sobre o assunto.” Quem cuida ama e quem ama cuida e por cuidar vê o outro e vê como pessoa. Quem cuida e vê, é alguém que tomou consciência de que: “Não há nada pior do que não existir aos olhos de alguém. O ódio e a rejeição são mais fáceis de suportar se, pelo menos, estiver subentendido que o “tu” existe.” Quem a...

CUIDAR É SER CUIDADO E TRATADO

Todos nós somos feridos e carentes. Todos passamos pelo caudal do sofrimento e nas nossas dores, pensamos que os outros têm vidas melhores do que as nossas. Contudo, devemos lembrar da lenda chinesa, que fala da mulher cujo filho morreu e por isso, ela foi procurar um mestre e disse: “De que orações ou de encantamentos mágicos dispões para trazer de volta a vida de meu filho?” A resposta do mestre foi: “Traze-me um grão de mostarda de um lar que jamais conheceu tristeza. Nós o usaremos para expulsar a tristeza de tua vida.” E ela saiu em busca, mas por onde ia, encontrava histórias de tristeza e desgraças. Isto fez com que ela se envolvesse em amenizar a dor das outras pessoas a tal ponto que esqueceu de buscar a semente mágica de mostarda, não percebendo que acabara por expulsar a tristeza da sua vida. Cuidar é ser cuidado e tratado. Cuidar envolve a realidade do encontro. É este entrelaçar de vidas, como se fossem fios que se entrelaçam nas mãos de um tapeceiro. Quem olha de fo...

CUIDAR É DAR

Cuidar é uma arte e um desafio. É sair ao encontro do outro. Cuidar é ter coragem de envolver-se. É dedicar-se, é se dar e entregar sem reservas ao outro. Cuidar é conviver e viver ao lado do outro e ao outro se dar. Cuidar é dar e como diz a Escritura: “Há mais alegria em dar do que receber”. Contudo, mas do que coisas é fundamental dar o ser. Dedicar-se, envolver-se e passar tempo e tempo de qualidade com a pessoa cuidada. É dar de si mesmo e compreender que “ninguém consegue ajudar alguém sem se envolver, sem entrar com todo o seu ser na situação dolorosa, sem correr risco de se ferir, magoar ou até mesmo se destruir neste processo.” Cuidar é se dar, é abrir o coração e acolher o irmão, mesmo que isto implique sofrer. Cuidar faz parte da nossa essência. “Somos filhos e filhas do Cuidado e nem sempre mostramos gratidão por esta constatação tão óbvia.” Recebemos cuidado e damos cuidado. Entregamo-nos aos demais e envolvemo-nos com o nosso próximo. Cuidar é dar e envolver-se. “...

CUIDAR É CONSOLAR

O sofrimento faz parte da vida. É impossível não sofrer. Quando enfrentamos a dor, a tristeza, parece que o mundo vai desabar sobre nós. O fardo parece ser insuportável. Na hora da angústia nos encaramujamos, fugimos de tudo e de todos. Contudo, desejamos que os outros estejam perto. Nos isolamos, mas não queremos estar em solidão. A atitude que tomamos é por causa do medo que estamos sentindo e também por não estar suportando tamanho fardo. A pessoa que está em sofrimento, que precisa ser apoiada está com a sua vida em suspenso. Quem cuida, deve entender esta realidade. Precisa compreender a fragilidade do outro. Acima de tudo, assumir que não tem as respostas para os dilemas que o outro enfrenta. Quem cuida, se faz presente para acompanhar e neste processo, inicia-se o consolo. Cuidar é consolar. Consolar é fazer-se presente em silêncio. É dividir a carga. É compartilhar a dor, o sofrimento. É se fazer presente e partilhar a vida e o momento que o outro vive. É aliviar a dor....

CUIDAR É SENTIR

Os sentimentos fazem parte da nossa vida. Apesar de ver muita gente tentando ocultá-los e a sufocá-los, eles são intrínsecos. Somos seres sentimentais e emocionais. Aqui lembro de Altermar Dutra assumindo esta realidade na canção: “Sentimental eu sou”. Eu também sou, tu és, todos nós somos. Os sentimentos fazem parte da vida! Cuidar é sentir. Sentir é ter a capacidade de se identificar com o outro. É fazer a dor do outro, sua por um momento. Na verdade, quando cuidamos e sentimos o outro, emprestamos o nosso ser para que ele possa expressar seus sentimentos e emoções. Devemos compreender que: “Os sentimentos representam a expressam afetiva de nossa pessoa; assim, nossa vida afetiva começa no nascimento, e talvez antes mesmo disso. Ao passo que as emoções são uma reação não interiorizada (choramos ao assistir um comovente filme), os sentimentos se integram a nossa experiência, nosso EU, nossa estrutura.” Quem cuida carrega os seus sentimentos, mas deve parar para sentir, para se i...